Contingências e Encontros
Por Jaqueline Coelho
O dia 22 de junho era aguardado ansiosamente, já que um importante evento seria empreendido pela Delegação Geral GO/DF em Brasília. A programação contava com uma mesa preparatória para o XIX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano e uma mesa de lançamento do livro Autismo(s) e atualidade: uma leitura lacaniana. A presença de nossa Conselheira prestigiaria uma tarde de intenso trabalho.
Às 8:30h da manhã, antes mesmo de sair de Goiânia, recebi uma mensagem de Rosário informando que seu vôo atrasaria porque o Santos Dumont estava fechado em razão do mau tempo. Começou, então, uma torcida para que a situação se revertesse, já que o início das atividades estava previsto para 14 horas.
Ainda na estrada, já as 10:20h, chegou a notícia de que o vôo continuava sem previsão de saída. Às 11h, a única novidade era que o vôo, que deveria ter saído às 8:38h, havia sido cancelado e a passageira seria transferida para outro, ainda sem previsão. Toda uma programação, que incluía, confortavelmente, possibilidades de descanso e almoço fora atropelada pela contingência do mau tempo. A torcida, nesse momento, era para que o deslocamento de Rosário ainda se mostrasse vantajoso para ela própria quando o vôo fosse liberado.
Eis que, apesar de toda a complicação, a conselheira chegou ao local do evento às 14:30h, ainda a tempo de assistir a mesa de abertura. A essa mesa, seguiu a discussão sobre o feminino, com os trabalhos teóricos de Ruskaya e Simone e o caso clínico de Raquel. As discussões foram interessantes e mobilizaram a participação dos ouvintes.
A mesa sobre o Autismo revelou-se uma grata surpresa. Ela contou com a presença de Silvana Modesto, de Valdelice França, coordenadora do CAPSi e Maria do Rosário. A contribuição de Silvana Modesto, que é mãe de um autista, já era marcada por grande expectativa de minha parte. Entretanto, o que se produziu a partir de seu depoimento superou todas as apostas. Com muita sensibilidade e generosidade, Silvana compartilhou com os presentes suas experiências como mãe, passando pela demora no diagnóstico, que só foi fechado quando a criança contava com 8 anos, pela recusa em aceitar o rótulo de retardo mental e pelos diversos tratamentos empreendidos.
Silvana compartilhou as fases pelas quais teve de passar antes de compreender a realidade do filho e a dificuldade ocasionada pelo sentimento de culpa que a assolava. A decisão de ser feliz veio com o tempo. O diagnóstico possibilitou alívio porque, enfim, norteava um caminho a ser trilhado. Junto à experiência com o filho, fez-se possível a aprendizagem quanto ao respeito devido a ele e à consideração de que ele tem suas próprias vontades/desejos. Para finalizar, Silvana, a partir da vivência diária com o filho, discordou das considerações de que o autista não faz contato visual, não tem sentimentos e não sente dor. Ela também fez considerações críticas acerca do uso do medicamento e das escalas de avaliação.
O depoimento da mãe convidada revelou-se um grande encontro. Antes mesmo de sua fala, ela justificou-se que não falaria como profissional, sem saber que sua experiência é o que nos proporcionaria de mais valioso.
Outra grata surpresa foi o comparecimento da maior parte dos integrantes da DG, que deixaram seus afazeres em plena sexta-feira à tarde para dividir conosco esse momento, o qual só foi tão bem sucedido em razão da colaboração de várias pessoas.
Nesse sentido, a equipe de coordenação agradece a todos os presentes, em especial a Giovanna Quaglia e Christielle — pelo apoio na organização —, a Ruskaya, Simone e Raquel — pela disponibilidade na feitura e apresentação dos trabalhos —, bem como Waléria e Antônio — pelo material de divulgação —, além de Cristiano — pelo contato com Silvana — e Maria do Rosário — por não ter desistido frente a contingência imposta pela natureza e ter demonstrado um desejo decidido em contribuir com a psicanálise nesse espaço aberto pela DG GO/DF.
Nenhum comentário:
Postar um comentário