A VIOLÊNCIA:
SINTOMA SOCIAL DA ÉPOCA
ANA PAULA
FERNANDES REZENDE
RESENHA DO
TEXTO: A VIOLÊNCIA E O TRAUMA NO SUJEITO – Marcus André Vieira
O
artigo faz uma relação entre a violência e o sujeito. Marcus André Vieira faz
referência a Freud, ao mostrar a necessidade de reconhecer o marco zero, o
ponto onde o sujeito se distingue dos outros. Esse ponto será denominado de
trauma. Trauma será para Freud ¨o nome desse instante em que se assinala a
certeza de um antes e um depois¨ p.74, o que deixa marcas e que vai revelar a
falta no sujeito.
O
analista vai partir do pressuposto que há um fator subjetivo no trauma, isto é,
algo do singular vai estar sempre presente para se definir um trauma, pois ¨nem
sempre todos expostos a mesma situação serão traumatizados.¨p. 75. Isto quer dizer que a ênfase não está no
evento violento em si, mas no fator subjetivo. Não é possível esgotar na cena
da violência a causa do trauma. O foco está no sujeito do trauma e não no
evento traumático. O discurso científico visa à objetivação, mas a psicanálise
busca a subjetividade, perguntar ao sujeito sobre o quanto à violência
experimentada lhe afetou, o que em certo evento teria sido para o sujeito o
trauma.
O
autor traz uma definição da proposta de Laurent sobre o trauma pelo avesso: ¨O
trauma pelo avesso é a aposta no fator subjetivo como elemento-chave no
processo, que, já entendemos, não está escrito no evento, aparecendo, sobretudo
como forma de enigma, hiato, ruptura que perturba as explicações e sentidos
coletivos e universais e que terá, as duras penas ser construído¨ p. 82. Na
análise o trauma pode encontrar um lugar de relato e segundo Lacan, citado pelo
autor, na qual é na estrutura dele que define o campo da interpretação
analítica e que há algo nessa estrutura que traz o evento como traumático.
O
trauma deve estar inserido no sintoma. O autor cita Miller quando se refere que
o trauma deve ser tomado como o nome do que atrapalha, de um gozo inominável.
Ele afirma que para Lacan ¨o sujeito é fruto de uma montagem contingente e não
uma série de acontecimentos de sua infância. É algo que emerge de uma história
permanentemente construída e não de uma eterna atualização dos encontros
infantis.¨ p.85. Laurent vai fazer a comparação de algo como uma colagem. Nessa
montagem obtida deve haver espaço para a invenção. As marcas que o sujeito traz permite-lhe que
sejam contadas histórias, uma ficção, para fazer algo dessas marcas e dar um novo
destino ao real.
Assim,
o analista é convocado a lidar com o que a Lei não se sustenta, com os furos,
com o real de cada um. Na análise, o sujeito vai se haver com a presença do
gozo, com as experiências de angústia, de ódio, de amor e de êxtase. Uma
análise pode mudar o modo como a violência e essas outras experiências afetam o
sujeito, sem deixar de considerar que haverá sempre um resto, algo que escapa,
que é inominável e ineliminável.
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