13 de abr. de 2014

RESENHA DO TEXTO: A VIOLÊNCIA E O TRAUMA NO SUJEITO – Marcus André Vieira



A VIOLÊNCIA: SINTOMA SOCIAL DA ÉPOCA
ANA PAULA FERNANDES REZENDE

RESENHA DO TEXTO: A VIOLÊNCIA E O TRAUMA NO SUJEITO – Marcus André Vieira

O artigo faz uma relação entre a violência e o sujeito. Marcus André Vieira faz referência a Freud, ao mostrar a necessidade de reconhecer o marco zero, o ponto onde o sujeito se distingue dos outros. Esse ponto será denominado de trauma. Trauma será para Freud ¨o nome desse instante em que se assinala a certeza de um antes e um depois¨ p.74, o que deixa marcas e que vai revelar a falta no sujeito.
O analista vai partir do pressuposto que há um fator subjetivo no trauma, isto é, algo do singular vai estar sempre presente para se definir um trauma, pois ¨nem sempre todos expostos a mesma situação serão traumatizados.¨p. 75.  Isto quer dizer que a ênfase não está no evento violento em si, mas no fator subjetivo. Não é possível esgotar na cena da violência a causa do trauma. O foco está no sujeito do trauma e não no evento traumático. O discurso científico visa à objetivação, mas a psicanálise busca a subjetividade, perguntar ao sujeito sobre o quanto à violência experimentada lhe afetou, o que em certo evento teria sido para o sujeito o trauma.
O autor traz uma definição da proposta de Laurent sobre o trauma pelo avesso: ¨O trauma pelo avesso é a aposta no fator subjetivo como elemento-chave no processo, que, já entendemos, não está escrito no evento, aparecendo, sobretudo como forma de enigma, hiato, ruptura que perturba as explicações e sentidos coletivos e universais e que terá, as duras penas ser construído¨ p. 82. Na análise o trauma pode encontrar um lugar de relato e segundo Lacan, citado pelo autor, na qual é na estrutura dele que define o campo da interpretação analítica e que há algo nessa estrutura que traz o evento como traumático.
O trauma deve estar inserido no sintoma. O autor cita Miller quando se refere que o trauma deve ser tomado como o nome do que atrapalha, de um gozo inominável. Ele afirma que para Lacan ¨o sujeito é fruto de uma montagem contingente e não uma série de acontecimentos de sua infância. É algo que emerge de uma história permanentemente construída e não de uma eterna atualização dos encontros infantis.¨ p.85. Laurent vai fazer a comparação de algo como uma colagem. Nessa montagem obtida deve haver espaço para a invenção.  As marcas que o sujeito traz permite-lhe que sejam contadas histórias, uma ficção, para fazer algo dessas marcas e dar um novo destino ao real.
Assim, o analista é convocado a lidar com o que a Lei não se sustenta, com os furos, com o real de cada um. Na análise, o sujeito vai se haver com a presença do gozo, com as experiências de angústia, de ódio, de amor e de êxtase. Uma análise pode mudar o modo como a violência e essas outras experiências afetam o sujeito, sem deixar de considerar que haverá sempre um resto, algo que escapa, que é inominável e ineliminável.


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