23 de abr. de 2014

ATIVIDADE PREPARATÓRIA PARA A VII JORNADA DA DELEGAÇÃO

Convidamos a todos à participarem da atividade Preparatória da VII Jornada da Delegação Geral GO/DF em que o Núcleo de Pesquisa de Psicanálise com Criança irá tratar o tema: O traumastismo e o Real na Clínica: O que as Crianças inventam? A partir do encontro com o real do corpo, do outro sexo e com o Outro materno, discutiremos como a criança contemporânea se apresenta, sabendo-se de antemão que ela nasce como objeto real e que necessita ser subjetivado para torna-se Sujeito.

22 de abr. de 2014

INFORMAÇÕES SOBRE A VII JORNADA DA DELEGAÇÃO GERAL GO/DF




As Inscrições para a VII Jornada poderão ser realizadas através do e-mail: eventosdg.godf@gmail.com onde o interessado deverá informar da sua intenção e a partir daí será orientado como concretizá-la.
Os Valores das inscrições:
80,00 (Oitenta reais) para profissionais se realizadas até 30 de Junho.
100,00 (Cem reais) para profissionais após esta data.
40,00 (Quarenta reais) para estudantes se realizadas até 30 de Junho.
50,00 (Cinquenta reais) para estudantes após esta data..
Os alunos da ALFA ao fazer suas inscrições na VII Jornada terão um valor especial: 30,00 (Trinta reais) até a data de 30 Junho, após esta data 40,00 (Quarenta reais). Os ex-alunos da Alfa pagarão 40,00 (Quarenta reais) até 30 de Junho e após esta data 50,00 (Cinquenta reais).

REGRAS PARA ENTREGA DE TRABALHOS:
Os trabalhos devem ser enviados até o dia 30 de junho para a comissão científica nos e-mails: Cris.alvespimenta@gmail.com; Cristina.alvesbarbosa@gmail.com; psico.rdom@terra.com.br . Coordenadora ceresleda@hotmail.com
Devem conter no máximo 8.000 caracteres com espaço, Letra Times-New Roman, Fonte 12, Espaço simples.

ALGUMAS SUGESTÕES DE BIBLIOGRAFIA PARA O TEMA DA VII JORNADA
1)      Barros, Fernanda Otoni. A repetição do trauma. Disponível em: http://ebp.org.br/wp-content/uploads/2012/08/Fernanda_Otoni_A_repeticao_do_trauma1.pdf

2)      Ferrati, Ilka Franco. Trauma e Segregação. In: A política do medo e o dizer do psicanalista – Latusa EBP Rj nr 9, pág.149.

3)      Laurent, Eric (2004). O trauma pelo Avesso.  Papéis de Psicanálise, vol. 1, pág. 21-28.
4)      Machado, Ondina e outros. A Violência – sintoma social da época. Belo horizonte, Scriptum/EBP.

5)      Miquel Bassols.  5 Minutos no Rádio: Entrevista no tema Um real para o século XXI realizada por Gabriela Medim (ELP). Disponível em: http://www.congresamp2014.com/pt/template.php?file=5-minutos-en-la-radio/Miquel-Bassols.html
6)      Vieira, Marcus André. O Trauma Subjetivo. Psico Vol. 39 nr 44. PP., 509-513, out/dez. 2008 Disponível em: http://www.litura.com.br/artigo_repositorio/trauma_subjetivo_pdf_1.pdf

7)      Zanotti, Susane Vasconcelos et all. Trauma e sintoma: da generalização à singularidade. Revista Mal Estar e Subjetividade – Vol. 6 nr 2 Fortaleza set. 2006.

AS ATIVIDADES PREPARATÓRIAS PARA A VII JORNADA DA DELEGAÇÃO GERAL GO/DF serão realizadas pelos Núcleos de Pesquisa e Psicanálise da Delegação. Abaixo o cronograma:

MAIO:
Dia 06.05  às 19:00h Terça-feira .
Local: ALFA – Unidade Perimetral
Núcleo de Estudo e Pesquisa em Psicanálise com Criança – Biloquê. “O traumatismo e o real na clínica: o que as crianças inventam?”  Coord. Ceres Lêda Félix de Freitas Rubio (Psicóloga, Psicanalista, Participante da Delegação Geral EBP GO/DF, Coordenadora do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Psicanálise com Criança,  Especialista em Educação Infantil, Especialista em Psicologia Hospitalar, Funcionária do CIMP- Centro Integrado, Médico, Psicopedagócio da Secretaria Estadual de Saúde). 

MAIO:
Dia: 17.05 às 9:00h
Local: ALFA – Unidade Perimetral
NUPPE Núcleo de Pesquisa de psicanálise na Escola: A Violência Das/Nas escolas no Século XXI: Uma leitura Psicanalítica. Coord. Ordália Junqueira – (Psicanalista,  membro Aderente da Escola Brasileira de Psicanálise, Participante da Delegação Geral GO/DF, Coordenadora do NUPPE).

JUNHO
Dia: 14.06  às 9:00h
Local: ALFA – Unidade Bueno
Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Arte. Resp. Cristiano Pimenta.

BLOG da DELEGAÇÃO GERAL GO/DF ESCOLA BRASILEIRA DE PSICANÁLISE

PARTICIPEM!!
Ceres Lêda Félix de Freitas Rubio /Coord. Geral da VII Jornada da Delegação Geral GO/DF.

 



13 de abr. de 2014

RESENHA DO TEXTO: A VIOLÊNCIA E O TRAUMA NO SUJEITO – Marcus André Vieira



A VIOLÊNCIA: SINTOMA SOCIAL DA ÉPOCA
ANA PAULA FERNANDES REZENDE

RESENHA DO TEXTO: A VIOLÊNCIA E O TRAUMA NO SUJEITO – Marcus André Vieira

O artigo faz uma relação entre a violência e o sujeito. Marcus André Vieira faz referência a Freud, ao mostrar a necessidade de reconhecer o marco zero, o ponto onde o sujeito se distingue dos outros. Esse ponto será denominado de trauma. Trauma será para Freud ¨o nome desse instante em que se assinala a certeza de um antes e um depois¨ p.74, o que deixa marcas e que vai revelar a falta no sujeito.
O analista vai partir do pressuposto que há um fator subjetivo no trauma, isto é, algo do singular vai estar sempre presente para se definir um trauma, pois ¨nem sempre todos expostos a mesma situação serão traumatizados.¨p. 75.  Isto quer dizer que a ênfase não está no evento violento em si, mas no fator subjetivo. Não é possível esgotar na cena da violência a causa do trauma. O foco está no sujeito do trauma e não no evento traumático. O discurso científico visa à objetivação, mas a psicanálise busca a subjetividade, perguntar ao sujeito sobre o quanto à violência experimentada lhe afetou, o que em certo evento teria sido para o sujeito o trauma.
O autor traz uma definição da proposta de Laurent sobre o trauma pelo avesso: ¨O trauma pelo avesso é a aposta no fator subjetivo como elemento-chave no processo, que, já entendemos, não está escrito no evento, aparecendo, sobretudo como forma de enigma, hiato, ruptura que perturba as explicações e sentidos coletivos e universais e que terá, as duras penas ser construído¨ p. 82. Na análise o trauma pode encontrar um lugar de relato e segundo Lacan, citado pelo autor, na qual é na estrutura dele que define o campo da interpretação analítica e que há algo nessa estrutura que traz o evento como traumático.
O trauma deve estar inserido no sintoma. O autor cita Miller quando se refere que o trauma deve ser tomado como o nome do que atrapalha, de um gozo inominável. Ele afirma que para Lacan ¨o sujeito é fruto de uma montagem contingente e não uma série de acontecimentos de sua infância. É algo que emerge de uma história permanentemente construída e não de uma eterna atualização dos encontros infantis.¨ p.85. Laurent vai fazer a comparação de algo como uma colagem. Nessa montagem obtida deve haver espaço para a invenção.  As marcas que o sujeito traz permite-lhe que sejam contadas histórias, uma ficção, para fazer algo dessas marcas e dar um novo destino ao real.
Assim, o analista é convocado a lidar com o que a Lei não se sustenta, com os furos, com o real de cada um. Na análise, o sujeito vai se haver com a presença do gozo, com as experiências de angústia, de ódio, de amor e de êxtase. Uma análise pode mudar o modo como a violência e essas outras experiências afetam o sujeito, sem deixar de considerar que haverá sempre um resto, algo que escapa, que é inominável e ineliminável.


LANÇAMENTO DO LIVRO: A VIOLÊNCIA – Sintoma Social da Época



LANÇAMENTO DO LIVRO: A VIOLÊNCIA – Sintoma Social da Época Orgs. Ondina Maria Rodrigues Machado e Ernesto Derezensky
Por: Ceres Lêda Félix de Freitas Rubio

Podemos marcar o lançamento  como aquele evento que abre a temática que irá percorrer todos os estudos da Escola Brasileira de Psicanálise este ano e da Delegação Geral GO/DF. A Delegação com as suas atividades e com a maior delas, a Jornada anual, que  será realizada em 22 e 23 de Agosto,  intitulada “Quando a fala cala, a bala fala – o que a Psicanálise diz sobre a violência? falará sobre violência.  
Nos textos trabalhados no lançamento o de Cristina Drummond “Violências Maternas”, o de Marcus André Vieira “A violência do trauma e seu sujeito” e finalmente o de Enrique Laurent “Sobre as manifestações da pulsão de morte”, cada um a seu modo, nos orientaram sobre  esta questão.
A partir de hoje estejam todos convidados a participar dos preparatórios da Jornada em Maio e Junho, e em Agosto, da Jornada, que acontecerá no auditório da Universidade Alfa (unidade Perimetral). Acompanhem as informações pelo blog da Delegação, se disponham a ler sobre o tema e a escreverem seus trabalhos.
Em três momentos teremos as resenhas desses três textos publicados. O primeiro que segue é “Violências Maternas”.
Cristina Drummond nos privilegia ao escrever seu artigo e orienta todos aqueles que se ocupam com a criança no discurso psicanalítico ao falar sobre Violências Maternas. Elas existem e podemos vê-las nos consultórios através das crianças que ali chegam e nos noticiários. Uma violência que se passa por um lado, mascarado, através dos cuidados maternais e por outros que vão, além disso,  e são pura exteriorização da manifestação da pulsão de morte.
Cristina inicia seu texto nos trazendo uma vinheta clínica e que indica como os cuidados maternais podem ser vistos como violentos. Uma criança de 5 anos queixa-se: “Você abusa de mim!”. A criança tem encoprese e reclama do centésimo enema que a mãe quer submetê-lo. Ele desenha um coelho com todos os orifícios tampados e escreve do lado de fora: “Não”. E em seguida diz que antes não queria ser menino porque os meninos (judeus) tinham que tirar um pedacinho de seu corpo, mas que agora sabe que ser mulher é muito pior, porque para ter um filho, elas tinham que fazer um corte ainda maior na barriga. Ele denuncia a violência e neste fragmento Cristina vê uma série de elementos que estão inseridos nesta questão:
1)    A relação mãe-filho;
2)    O real do corpo da criança;
3)    O sintoma e a repartição sexual – a referência ao falo simbólico.

O pedacinho que se tira dos homens, que reclama João, é a famosa libra de carne pelo pagamento pela entrada no simbólico, a autora escreve se referindo a Lacan. Quanto às mulheres, essa operação não é assim tão segura e o corte tem que ser maior porque elas são não-todas submetidas à castração. Cristina aponta, clinicamente e teoricamente com Miller, que a criança está submetida ao abuso materno a partir da questão da feminilidade. Há afinidades entre a feminilidade e a vontade e “é do lado da mulher que a vontade se desprende com um caráter absoluto, infinito, incondicionado e se manifesta, com mais evidência, no capricho”.
A criança assim,  está submetida aos caprichos femininos e maternos.
Cristina aponta a ciência como um facilitador do gozo feminino quando este desejo pela maternidade não passa mais por uma relação com um homem, esse sendo dispensado. A criança sendo colocada na posição de objeto de consumo disponível no mercado.
Lembra que a psicanálise associou a ideia de um paraíso entre mãe e filho à de simbiose, teóricos como  Balint, Margaret Mahler, Helen Deutsch, Françoise Dolto, Melanie Klein, teorizaram. Esta última fazendo dessa ligação uma relação especular, tomando o corpo materno como o recinto das pulsões da criança “pulsões motivadas pela agressão decorrente de uma decepção fundamental”.  Lacan, diz que a autoridade das mulheres em psicanálise pode ser uma ameaça, pois algumas trataram da questão da mãe e da criança, como “experts em esconder toda falta e em falar como oráculos”. Lacan introduziu entre a criança e a mãe um terceiro termo, o falo, indicando que não se trata aí de uma relação dual e interrogando a incidência do desejo do Outro e do feminino na constituição do sujeito.  Trata-se, da escolha de uma clínica do gozo, em oposição a uma clínica da relação simbiótica mãe-filho.
Lacan não aceitaria a solução de Winnicott, segundo a qual haveria a possibilidade de uma mãe ser suficientemente boa, nada violenta. No seu ensino viu-se a constatação de fazer uma leitura da violência presente na relação entre a mãe e a criança.
Pode-se partir da ideia de que uma mãe é violenta porque toma seu filho como objeto condensador de seu gozo. Estar na posição de objeto é uma condição da criança: ela vem ao mundo como objeto real, e esse objeto não está separado da sujetividade, muito menos da sexualidade da mulher que é sua mãe.  É a mãe “impondo, mais do que sua lei, sua onipotência ou seu capricho”. É o insaciável crocodilo prestes a devorar o seu objeto, completa a autora.
Trás a referência de Ferenczi, 1929, no texto “A criança mal acolhida e sua pulsão de morte” para falar dos “hóspedes não bem-vindos na família” . Esses sujeitos sofriam de tendências inconscientes de autodestruição que se manifestavam em impulsos suicidas, impotência, falta de prazer na vida e em um pessimismo extremo. Em sua pesquisa ele constata que não se verifica na clínica, a ideia de que as pulsões de vida sejam preponderantes nos recém-nascidos. Se ao nascer a ternura lhe é recusada, a pulsão de destruição vai se estabelecer.
Esses “hóspedes não bem-vindos na família” estaria  em consonância com a formulação de Lacan de que somos “todos abortos do que foi, para aqueles que nos engendraram, causa do desejo”. Cada um de nós é determinado primeiro como objeto a. A criança terá que trabalhar para inscrever-se na subjetividade, sair da condição de objeto real através dos significantes simbólicos herdados.
Cristina nos lembra sobre a verdadeira perversão nas mulheres, que é a relação dessas com seus filhos, condensadores de seu gozo. E da loucura , quando se toma o falo como medida, a criança é pensada como objeto demandado ao pai e articulada a privação feminina. A loucura está no para-além da correspondência que se pode obter, já que, de acordo com Laurent “ela não para de buscar no Outro o significante desse objeto impossível que foi privado”. A operação de falicização da criança conecta a criança real ao valor fálico que ela pode vir a ter para a mãe, e essa operação deixa sempre um resto. Aí se faz presente o risco da violência, quando o corpo da criança fica a serviço da vontade de gozo do Outro materno.
A criança poderá situar-se como objeto em duas vertentes:
- A de objeto fálico; e
- Objeto condensador de gozo.
No artigo, trás Medeia como o paradigma da violência materna, a verdadeira mulher segundo Miller, “é uma crueldade que tem a ver com o sacrifício que ela tem de mais precioso, para abrir no Outro um buraco que não se pode preencher”. Medeia atua com o destruir, e Lacan assinala: que toda mulher pode realizar-se no não ter, no abrir mão de sua inscrição fálica.
Cristina trás mais duas vinhetas clínicas. Paulo, 9 anos, queixa e a agride a mãe porque esta   conta aos parentes coisas que ele teria dito sobre eles, a partir de uma interpretação dela. Isso aponta que se a criança é tida como objeto, sua condição de sujeito da palavra não é considerada, e vê-se que algo da separação não se operou. A agressividade do filho é uma resposta à violência da mãe, a criança busca, desesperada, uma maneira de lhe fazer borda.
A cola,  é intensa nas mães esquizofrênicas fala Cristina, ao dizer de Joana, que tomam o corpo do filho como parte de seu próprio corpo. Ou em uma interpretação delirante, a filha é tomada, como portadora de algum mal. “A maneira como ela me olhou me fez ver aquilo que eu não queria ver: ela é ruim”.
Nessas duas vinhetas, a autora baseada em Laurent, identifica de um lado, traços perversos femininos, e de outro, traços de loucura feminina. A criança podendo ser capturada de modos distintos, pelos traços perversos do amor materno, ou pelos traços de loucura do amor sem limite.
Por último fala do gozo sem limites de mulheres pela maternidade que se utilizam da reprodução assistida, deixando a criança ainda mais submetida. Criança gerada a fim de ser doadora de medula ou outro órgão para um irmão doente; ou a reprodução assistida sem limites: “não me importa quantos mais eu tenha que matar, quero ter um filho meu” a fala de uma mulher que perdera vários bebês por incompatibilidade genética com o marido.
A autora conclui com Lacan, ao afirmar que o que está suprimido no mito sobre a relação da criança com a mãe, mito de completude, amor e aceitação, só pode ser compreendido “ao se opor a que seja o corpo da criança que corresponda ao objeto a”. Essa oposição diz respeito a impedir que a criança seja fixada em uma fantasia e que é necessário pensar a operação de separação, levando em conta a questão do objeto e das graves consequências sobre o corpo da criança.  Lacan, acredita que a procura por recuperar, no corpo da criança, o objeto impossível da privação,  marcada sempre pela violência, encontre um limite na palavra.  E Laurent, crê  tornar menos consistente a paixão mortífera que está sobre as crianças.
Essas formulações devem  orientar o trabalho clínico dos psicanalista com crianças.