O
Feminino na Psicose[1]
Com
Iordan Gurgel[2]
e
Simone Santos Abadia[3]
Ao impossível: invenções
inéditas
Por
Juliana Melo[4]
A
Delegação Geral GO/DF, com um firme propósito nas atividades preparatórias para
nosso XIX
Encontro Brasileiro do Campo Freudiano,
recebeu Iordan Gurgel para uma conversação sobre o Feminino na Psicose.
Compartilho a partir deste texto alguns dos pontos fundamentais que nortearam
nosso trabalho.
'Nós,
analistas lacanianos, somos especialistas em diagnóstico por estrutura
respeitando a singularidade de cada um...' comenta Iordan Gurgel. É no caso a
caso que a psicanálise trabalha, esse é o caminho do Campo Freudiano.
As
experiências clínicas articuladas à teoria trazidas por Simone S. Abadia e
Iordan Gurgel nos confirmaram mais uma vez a criatividade de cada sujeito na
inventiva dada como resposta ao impossível de significação.
Simone
nos apresentou o caso de um adolescente frente ao enigma do feminino, onde o
sujeito em questão encontra durante o processo da análise, maneiras criativas
e singulares para dar solução a essa questão. A propósito, Gurgel nos enriquece
com a reflexão sobre nosso desafio frente ao diagnóstico da psicose antes
mesmo do aparecimento dos fenômenos elementares, sobretudo nos casos da psicose
ainda não desencadeada. Para a decisão da condução do tratamento há uma
importância em realizar a escuta da sutileza com que se apresentam
os indicativos que evidenciam a não inscrição do sujeito na partilha dos
sexos, e a não simbolização da falha do Outro.
Nesse
sentido, para darmos conta da foraclusão, podemos mencionar quando na história
do paciente psicótico há a equivalência do mesmo ao falo como objeto de desejo
da mãe sem a interdição do Nome-do-Pai; nota-se também a falta de referenciação
ao mito familiar; evidencia-se a falta da resposta do simbólico que faz com que
o sujeito tenha alterações na linguagem como neologismo, interrupções e
interjeições; o psicótico se aferra a uma certeza de forma muito particular; e
se presentifica um gozo invasivo e não dialetizado que coloca o sujeito na
posição central de objeto de um outro zombador.
Lacan
conceitua o empuxo-a-mulher como um efeito da foraclusão, e Gurgel nos
esclarece formas em que essa condição pode ser confirmada, pois nem sempre o
delírio é construído com princípio feminino encarnado. Devemos nos atentar ao
fato de que o empuxo-a-mulher pode aparecer inclusive sob a forma de figuras
masculinas mitológicas proeminentes, e essa construção delirante equivale a
mesma ideia de pensar que A mulher não existe. Para ilustrar ricamente essa
contribuição, Gurgel nos apresentou um caso clínico em que se evidencia a
atuação do empuxo-a-mulher, apesar de o sujeito em questão não encarnar a
mulher em seu delírio, e explanou sua discussão do caso destacando o empuxo-a-mulher
como um fenômeno em resposta a impossibilidade do sujeito em atender a um
chamamento à função fálica, ao significante do Nome-do-Pai que não comparece
por estar na condição de foracluído. Diante da desregulação do gozo excessivo
vivenciado pelo psicótico, o empuxo-a-mulher emerge de maneira a desempenhar um
papel crucial: uma forma de estabilização que permite ao sujeito inventar um
lugar no mundo.
Ao
impossível: invenções inéditas!
[1]
Atividade Preparatória para o XIX Encontro do Campo Freudiano – Mulheres de
Hoje: Figuras do Feminino no Discurso Analítico; e V Jornada da Delegação Geral
GO/DF – Palavra de Mulher: A experiência do feminino no tratamento analítico.
[2]
Iordan Gurgel é psicanalista, membro da EBP/BA e AMP.
[3]
Analista Praticante. Participante da Delegação Geral GO/DF - EBP
[4]
Analista Praticante. Participante da Delegação Geral GO/DF - EBP. Pesquisadora
no Núcleo de Pesquisas Psicose e Saúde Mental – da Delegação Geral GO/DF.
Um comentário:
Onde encontrar terapeutas lacanianos em goiânia?
natytaveira@gmail.com
obrigada
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