1 de set. de 2012

RESENHA SOBRE O FEMININO NA PSICOSE


O Feminino na Psicose[1]
Com Iordan Gurgel[2]
e Simone Santos Abadia[3]

Ao impossível: invenções inéditas

Por Juliana Melo[4]

A Delegação Geral GO/DF, com um firme propósito nas atividades preparatórias para nosso XIX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, recebeu Iordan Gurgel para uma conversação sobre o Feminino na Psicose. Compartilho a partir deste texto alguns dos pontos fundamentais que nortearam nosso trabalho.
'Nós, analistas lacanianos, somos especialistas em diagnóstico por estrutura respeitando a singularidade de cada um...' comenta Iordan Gurgel. É no caso a caso que a psicanálise trabalha, esse é o caminho do Campo Freudiano. 
As experiências clínicas articuladas à teoria trazidas por Simone S. Abadia e Iordan Gurgel nos confirmaram mais uma vez a criatividade de cada sujeito na inventiva dada como resposta ao impossível de significação. 
Simone nos apresentou o caso de um adolescente frente ao enigma do feminino, onde o sujeito em questão encontra durante o processo da análise, maneiras criativas e singulares para dar solução a essa questão. A propósito, Gurgel nos enriquece com a reflexão sobre nosso desafio frente ao diagnóstico da psicose antes mesmo do aparecimento dos fenômenos elementares, sobretudo nos casos da psicose ainda não desencadeada.  Para a decisão da condução do tratamento há uma importância em realizar a escuta da sutileza com que se apresentam os indicativos que evidenciam a não inscrição do sujeito na partilha dos sexos, e a não simbolização da falha do Outro.
Nesse sentido, para darmos conta da foraclusão, podemos mencionar quando na história do paciente psicótico há a equivalência do mesmo ao falo como objeto de desejo da mãe sem a interdição do Nome-do-Pai; nota-se também a falta de referenciação ao mito familiar; evidencia-se a falta da resposta do simbólico que faz com que o sujeito tenha alterações na linguagem como neologismo, interrupções e interjeições; o psicótico se aferra a uma certeza de forma muito particular; e se presentifica um gozo invasivo e não dialetizado que coloca o sujeito na posição central de objeto de um outro zombador. 
Lacan conceitua o empuxo-a-mulher como um efeito da foraclusão, e Gurgel nos esclarece formas em que essa condição pode ser confirmada, pois nem sempre o delírio é construído com princípio feminino encarnado. Devemos nos atentar ao fato de que o empuxo-a-mulher pode aparecer inclusive sob a forma de figuras masculinas mitológicas proeminentes, e essa construção delirante equivale a mesma ideia de pensar que A mulher não existe. Para ilustrar ricamente essa contribuição, Gurgel nos apresentou um caso clínico em que se evidencia a atuação do empuxo-a-mulher, apesar de o sujeito em questão não encarnar a mulher em seu delírio, e explanou sua discussão do caso destacando o empuxo-a-mulher como um fenômeno em resposta a impossibilidade do sujeito em atender a um chamamento à função fálica, ao significante do Nome-do-Pai que não comparece por estar na condição de foracluído. Diante da desregulação do gozo excessivo vivenciado pelo psicótico, o empuxo-a-mulher emerge de maneira a desempenhar um papel crucial: uma forma de estabilização que permite ao sujeito inventar um lugar no mundo. 
Ao impossível: invenções inéditas!



[1] Atividade Preparatória para o XIX Encontro do Campo Freudiano – Mulheres de Hoje: Figuras do Feminino no Discurso Analítico; e V Jornada da Delegação Geral GO/DF – Palavra de Mulher: A experiência do feminino no tratamento analítico.
[2] Iordan Gurgel é psicanalista, membro da EBP/BA e AMP.
[3] Analista Praticante. Participante da Delegação Geral GO/DF - EBP
[4] Analista Praticante. Participante da Delegação Geral GO/DF - EBP. Pesquisadora no Núcleo de Pesquisas Psicose e Saúde Mental – da Delegação Geral GO/DF.

Um comentário:

Pull or Push? disse...

Onde encontrar terapeutas lacanianos em goiânia?

natytaveira@gmail.com

obrigada