NÚCLEO DE PSICANÁLISE E ARTE
apresenta:
Melancolia, de Lars von Trier: Exibição e Debate
Melancolia, de Lars von Trier: Exibição e Debate
DIA 14 DE JULHO, sábado, às 14:00 hs, na sede da Delegação: Rua Dr. Olinto Manso Pereira, n. 673, Sala 305, Centro Comercial Antônio João Sebba, Setor Sul - Goiânia, Goiás
Debatedores:
- Cristiano Pimenta, psicanalista, membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise.
- Raquel Ghetti Macedo Bênia,
psicanalista, membro da Delegação Geral - GO/DF.
- Paulo Guicheney, compositor, professor da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás.
- Paulo Guicheney, compositor, professor da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás.
O cinema hoje, em grande parte, é uma experiência inofensiva, rapidamente esquecida e que não produz em nós nenhuma marca. Não é o caso de Melancolia, do dinamarquês Lars von Trier; impossível passar ileso aos efeitos dessa obra genial. Como nomeá-los? Eis que se faz necessário uma referência à psicanálise, pois o efeito em questão não é outra coisa senão o que se diz por meio de um termo freudiano fundamental, a saber, o trauma.
Mas o que exatamente nos traumatiza em Melancolia? Não se trata de uma questão evidente, pois estamos diante de uma obra complexa, centrada no drama cheio de sutilezas de Justine, que cai depressiva frente a um casamento que fracassa antes de começar, a uma mãe seca e cruel e um pai que se retira quando ela mais precisa dele. Triste quadro, que se completa com as investidas de um chefe sem escrúpulos. No entanto, vemos em Justine uma melhora paradoxal de sua depressão diante do cataclisma que se aproxima. Por outro lado, sua irmã Claire, muito segura, desaba com a iminência do choque interplanetário. Assim como seu marido, sabichão rico – imagem ridícula de um príncipe da Renascença – que covardemente escolhe o suicídio à verdade, deixando sem pai o filho que se vê diante do fim de uma vida que mal começou.
Não poderíamos afirmar que a complexidade cheia de sutilezas de Melancolia nos traumatiza por nos colocar excessivamente próximos do que Lacan chamou de real? É esse real humano, esse indizível angustiante presente na existência, que é abordado em Melancolia. Eis porque esse filme convoca o debate: precisamos falar dele para nos distanciarmos do buraco negro em que ele nos abandonou, juntos a esses personagens tão comuns e a um Tristão e Isolda que não têm mais o que celebrar.
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