Aconteceu nos dias 07 e 08 de outubro de 2011 o 3º Módulo do Curso Introdutório à Psicanálise de Orientação Lacaniana intitulado “A dialética da demanda e do desejo”. Nesse Módulo, os colegas Cristiano Pimenta e Rosângela Ribeiro abordaram o conceito de desejo como resultado da operação da linguagem sobre a pulsão na dialética da necessidade e da demanda.
Cristiano apresentou os conceitos de necessidade, demanda e desejo, a noção lacaniana de falta de objeto, a dialética da frustação, e o grafo do desejo. Ele destacou que na primeira clínica de Lacan o desejo é metonímia e o sintoma é metáfora. Numa análise, a associação livre é metonímica e é o caminho de acesso ao inconsciente cabendo ao analista trazer a função metafórica, pois para Lacan há uma primazia do significante nesse momento de seu ensino. No Seminário IV “A relação de objeto”, Lacan aborda a relação da mãe com a criança como a relação com a própria linguagem, a mãe aparece como o Outro primordial. Cristiano falou ainda da função do falo na relação mãe-criança e também na relação homem-mulher. É a relação do desejo com o objeto fálico (o qual é tanto a falta, menos phi, quanto a presença positiva do objeto, Phi) que vai determinar, no ser falante, o destino de sua posição sexual permitindo, ou não, que ele ocupe a posição típica na relação com o parceiro sexual.
Rosângela introduziu a noção de desejo a partir de uma falta, e do amor como o que introduz essa falta. O desejo vai ser dirigido não tanto pelo objeto, mas pela falta do objeto. Falta essa que se dá em três níveis: frustração, castração e privação, e nos três registros: real, simbólico e imaginário. No Seminário IV “A relação de objeto”, Lacan aborda a sexualidade feminina que aponta para a falta e toma a criança como qualquer outro objeto para tamponar essa falta. Rosângela colocou ainda que é necessário localizar o desejo da mãe, uma vez que essa mãe é uma mulher, e usou a música “O Meu Guri” (Chico Buarque) para demonstrar como o sujeito (criança) se inscreve em relação ao sujeito feminino. Há a relação mãe-criança-falo, sendo o pai o 4º elemento que vem para apaziguar e barrar o gozo – a função do Nome-do-Pai. Retomou a teoria do objeto e seu vínculo com a castração, assim como o “Caso Hans” e o “Caso da Jovem Homossexual” e suas implicações clínicas.
Giovana B. B. Heinemann
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