Comunico que no próximo dia 27 de setembro não haverá aula do meu seminário AS ESTRUTURAS CLÍNICAS... e também lhes transmito mais um resumo do que estou trabalhando.
O esforço de Lacan nos quatro primeiros capítulos do Seminário 3 As psicoses é o de fornecer os elementos, os traços estruturais próprios à psicose. Mas isso é realizado numa comparação constante com os elementos que definem a neurose. Na neurose o que é fundamentalmente estrutural é a relação do sujeito com o Outro, relação pela qual o sujeito recebe sua mensagem (que é sempre sua verdade) sob a forma invertida vinda do Outro. No esquema L essa relação é representada pelo eixo A ------ S. Pois bem, na psicose essa dimensão simplesmente não existe. “Na fala delirante, diz Lacan, o Outro está verdadeiramente excluído, não há verdade atrás...” (p.67). Isso significa que no discurso psicótico não existem nem metáfora e nem metonímia, modos típicos da articulação significante nas neuroses, modos de surgimento da verdade no tratamento. A questão de Lacan é, pois, a seguinte: qual é o funcionamento da linguagem na psicose já que o psicótico é um ser falante e fala a mesma língua que os neuróticos? Ora, na verdade, existe um Outro na psicose, mas que funciona segundo leis que não são as da metáfora e da metonímia, e são essas leis próprias ao discurso psicótico que Lacan se dedica neste seminário. Quais são elas? Resumindo o que vimos até agora são: a forma do neologismo, a posição de testemunha, a perplexidade, a fala por alusão (por ex. “Eu venho do salsicheiro”, que trabalhamos no último encontro) e a injúria. Eis com que estamos as voltas em meu seminário sobre AS ESTRUTURAS CLÍNICAS E A SINGULARIDADE DE CADA UM.
Cristiano Pimenta.
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