Comentário final
sobre a VII Jornada da Delegação Geral GO/DF
Ceres Lêda Félix de
Freitas Rubio
A VII Jornada da Delegação Geral
GO/DF Quando a bala fala, a fala cala: O que a Psicanálise diz sobre a
violência? marcou um momento distinto, visto que, muitos outros além dos participantes da DG
compareceram para saber o que a
Psicanálise tinha a dizer. Assim, mais de cento e oitenta inscritos se fizeram
presentes no Auditório da Faculdades Alfa. Foram cinco mesas de trabalhos
realizados, uma mesa que contemplou outros saberes e que fizeram a intersecção
com a Psicanálise, o lançamento do quarto volume da revista apalavra e a
conferência principal com Fernanda Otoni de Barros Brisset que abrilhantou a
abertura com sua conferência intitulada “A violência cala, a psicanálise faz
falar” discutindo a tarefa de investigar como a violência sociologicamente
divulgada enlaça-se em nossa experiência clínica. Vimos diversas discussões
teóricas. Discussões que trataram a questão da
criança como objeto de violência,
desde a palmada à violência da pulsão que insiste em se inscrever fazendo
sintomas ou colocando o corpo da criança
a agitar-se. A mulher em situação de violência a partir de uma posição
erotomaníaca, e uma posição de vítima sustentada pelo supereu. Vinhetas de
casos clínicos onde se observou o gozo do um sozinho, de sujeitos desconectados
e violentados, distantes dos laços sociais em pleno gozo autista e prontos a
passagem ao ato. Na mesa de outros saberes, uma psicóloga, um advogado e um
educador físico contribuíram com a discussão de que a violência é multifatorial,
as instituições ocupando lugares de fomentar a violência generalizada e não
implicando o sujeito no ato violento, a
impossibilidade de um único saber responder sobre os problemas da violência e
ainda antecipar a violência a partir do espaço para a fala conduzida por uma
alteridade humanizada, afetiva. Constatamos a partir da psicanálise que a
experiência da violência, do trauma,
deve ser vista a partir da singularidade de cada um. O trauma respondendo ao
que cada um tem registrado, marcado no seu encontro do simbólico com o corpo na
formação do falasser. O analista como aquele a quem deve ser endereçado à
angústia e a quem cabe o papel de ler o sintoma ao colocar esse falasser a
falar a partir da transferência e do desejo do analista.


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