29 de fev. de 2012

Um luto na psicanalise

Uma parte de mim vela no desespero; e, concomitantemente, outra se agita arrumando palavras para homenagear um amigo que se foi. Dificuldade que encontro na pele ao saber que ele não está mais lá. Lá, aquele lugar que era fixo em meus pensamentos, onde imaginava que poderia ve-lo quando quizesse. Aqui estou não será mais possivel. Hoje sem saber para onde ele foi, e para onde posso ir para encontra-lo, escrevo. Foi Marcio Peter de Souza Leite, membro honorário da Escola Brasileira de Psicanálise, que me disse para escrever sempre e, são essas palavras que ecoam enquanto me perco nesse teclado. A extensa obra de Marcio, médico e psicanalista, participante da fundação da psicanalise de orientação lacaniana no Brasil, é a confissão de uma escrita devotada. Seu extenso e talentoso percurso na psicanálise, sua prática clínica e hospitalar, sua envergadura intelectual e, pesquisa pulsante; é a expressa força de um homem que soube escrever. Para alem de sua vida profissional, Marcio foi um escritor nas pessoas. Homem alegre, participante de festas, eventos. Era amigo. Para aqueles que tiveram a chance de com ele conviver é facil dizer “Marcio escreveu em mim”. 
Marcio Peter de Souza Leite parte hoje, dia 29 de fevereiro de 2012, suas contribuições serão imortais e, com o coração apertado digo, é luto na psicanalise.    
Giovanna Quaglia  
Membro da Delegação Geral Goias/ Distrito Federal

22 de fev. de 2012

Convite

Mais, Ainda
 
Para aqueles que participam do Seminário Livro 20, Mais, Ainda e para aqueles que gostariam de participar, a partir do dia 29 de fevereiro reiniciaremos nossos encontros às 17 horas na DG-GO/DF. E para motivá-los a iniciar a leitura da Aula V cito Lacan:
“Mais, ainda. Talvez que assim eu chegue a fazer aparecer algo de novo sobre a sexualidade feminina” (Aula V p.79).
Recordando, desde a primeira aula Lacan nos apresenta como ele irá construir este algo novo, pois ele parte do gozo e o apresenta como o que faz barreira ao saber, é ele que funda o “não quero saber nada disso”.
Para nortear nossa leitura vamos levantar questões:
1.     Existe um saber possível sobre o gozo?
2.     Mas de que gozo se trata, e de que saber?
No primeiro ensino de Lacan, há o gozo sexual que depende do significante que isola no corpo um órgão tornando a dimensão do gozo sexual humano pelo significante em uma organização fálica.
E há o gozo que Lacan irá tratar neste Seminário que é da ordem do que não serve para nada, não se reduz nem às leis do princípio do prazer, nem da necessidade de descarregar a excitação.
Portanto, para estabelecer esta correlação ele tomará a feminilidade como eixo de construção do intrigante axioma “não há relação sexual” que, segundo Miller, é o sexto paradigma do gozo.
A leitura desse Seminário nos coloca diante de um novo Lacan e suas novas formulações: o corpo é vivo, o sujeito é vazio de representação, Há Um, lalíngua porta o gozo, A Mulher não existe, o falasser e o Real.
A velha figura de Jean Paulhan do “guerreiro aplicado”, deve ser a posição do analista diante dos desafios da contemporaneidade.
Sintam-se convidados a acompanharem a leitura deste Seminário, pois este estudo poderá nos orientar a operar diante do Real como também entender de Real se trata na experiência analítica.
No aguardo, até quarta.
 Denizye

10 de fev. de 2012

Núcleo de Pesquisa em Psicanálsie e Educação - NUPPE-GO

Caros colegas,

Amanhã, sábado, 11-02-2012 as 8:30,  tentaremos reiniciar nossos trabalhos do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Educação deste ano. 
Dois pequenos textos foram escolhidos para esse "princípio epistêmico", a saber: "Os corpos falam: como responder?" (chamada aos trabalhos do laboratório do CIEN)  e "O ensino em psicanálise" de Eliana Bentes Castro.

De acordo com a orientação lacaniana, existe uma articulação precisa entre corpo, palavra e escuta.  O convite a uma reflexão não apenas dos analistas mas de outros profissionais (educadores, psicólogos, outros) que, a cada dia mais ficam advertidos de que existem manifestações dos corpos das crianças e adolescentes que sofrem algo que os fazem "se agitar" sem conseguir dizer, não sendo mais sinais de uma patologia a ser eliminada. Como os corpos respondem a essa nova lógica da incidência do significante na cultura? À exemplo, a "hiperatividade", DDA, TDAH dentre outras inúmeras nomeações sem sujeito. A psicanálise propõe uma abertura à escuta desses corpos para fazer surgir o singular (desse sofrimento) de cada sujeito.

No texto de Bentes, há uma pontuação preciosa sobre o ensino no campo da psicanálise que se diferencia do ensino em outros campos. O que a psicanálise nos ensina e como ensiná-la foi a pergunta feita por Lacan em "A psicanálise e seu ensino", dizendo que a psicanálise sempre nos ensina algo novo e é por isso que a formação é interminável. Em que a psicanálise se diferencia da pedagogia? De onde vem, para cada sujeito, a "inibição" que pode impedir o seu aprendizado?

Por esse viés, tentaremos colocar algumas questões: e o "déficit de atenção", tão discutido hoje nas escolas, como abordá-lo do ponto de vista da psicanálise?
Sabemos que Freud (em Psicopatologia da vida cotidiana), ao tratar do tema da "atenção" por exemplo, nunca a desvinculou do investimento libidinal e de suas exigências "perturbadoras". Os lapsos não resultam de uma diminuição quantitativa da atenção, mas de sua perturbação por um pensamento alheio que a atrai.  
Assim, cada vez mais vemos os profissionais da educação, quando articulados ao desejo freudiano deixando de insistir em abordar a atenção desconectada da sua função libidinal. Alguns exemplos dessa desconexão é clara, no aumento do metilfenidrato (Ritalina) em nossas crianças e também  nos adultos. 

Como será que os profissionais que estão, ou desejam estar ,implicados na PESQUISA do laço Psicanálise&Educação respondem à fala dos corpos que fazem surgir o singular de cada sujeito? Como será que os mesmos profissionais se posicionam frente a um saber que não se ensina? O inconsciente é um saber, e como se "ensina" esse saber inconsciente? "Todo ensino faz obstáculo ao real e ao saber. Dizemos que há um ensino quando se transmite um saber fazer com esse real". 
Uma discussão que, de forma alguma, se esgotará nesse primeiro Encontro, ficando aqui o convite a todos. 

Ordália Alves Junqueira
Coordenadora do NUPPE-GO.

5 de fev. de 2012

Reinício das atividades da DG GO/DF em 2012

Caros colegas e amigos,

É com ânimo redobrado que participamos àqueles que elegeram a Delegação Geral GO/DF da Escola Brasileira de Psicanálise como local privilegiado de formação, transmissão e discussão da psicanálise lacaniana que retomaremos nossas atividades na próxima segunda-feira, dia 06 de fevereiro.

O ânimo redobrado se justifica: Além das atividades regulares que já acontecem na DG, como os seminários, os núcleos de pesquisa e o Cartel de Orientação Lacaniana, que, como de hábito, são conduzidas com muito empenho pelos seus responsáveis, o ano de 2012 nos reserva um trabalho extra: a preparação para o XIX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano “Mulheres de hoje: figuras do feminino no discurso analítico”, que acontecerá em Salvador nos dias 24 e 25 de novembro.

A DG, assim como todas as instâncias que compõem o Campo Freudiano no Brasil, colocará então em discussão, ainda – ‘en corps’ –, o feminino e suas consequências!

Com votos de um bom ano de trabalho e já contando revê-los em breve,

Giovana Heinemann – Coordenadora de Biblioteca e Moderação
Waléria Paixão – Coordenadora Tesoureira
Ruskaya Maia – Coordenadora Geral da DG GO/DF