Eros e Thanatos na paisagem
adolescente
Marcela Antelo
Sabemos que a turbulência que a
metamorfose da puberdade desata nos corpos jovens começa, como diz o poeta
Chico Buarque de Hollanda, pela primeira fresta. Que acontece com o desejo
quando a fresta vira janela aberta de par em par? Como desejar sem fresta?
Na Flor da idade, a experiência do corpo como Outro, como estranho familiar, bem como a inquietante experiência do corpo do Outro, podem conduzir o barco sexual ou sob o comando da pulsão de morte, ou sob o canto de sereia de Eros e suas aventuras, ou sob a batalha de ambos. Do amor a si próprio ao amor por toda a quadrilha, dos prazeres solitários ao encontro impossível com o Outro sexo, a dialética móbil do desejo sustentado na fantasia indica as diversas posições de gozo, os diversos parceiros que o sujeito inventa para confrontar a inexistência da relação sexual.
Na Flor da idade, a experiência do corpo como Outro, como estranho familiar, bem como a inquietante experiência do corpo do Outro, podem conduzir o barco sexual ou sob o comando da pulsão de morte, ou sob o canto de sereia de Eros e suas aventuras, ou sob a batalha de ambos. Do amor a si próprio ao amor por toda a quadrilha, dos prazeres solitários ao encontro impossível com o Outro sexo, a dialética móbil do desejo sustentado na fantasia indica as diversas posições de gozo, os diversos parceiros que o sujeito inventa para confrontar a inexistência da relação sexual.
Numa época de transparência
generalizada o opaco captura nosso olhar: desaparição do desejo, indiferença
generalizada, atração pela morte, vidas vazias de tempos mortos, solidão
conectada, golpes na carne, passagens ao ato de puro risco, são destinos
possíveis de alguns adolescentes contemporâneos. Outros fazem contraponto pondo
em cena um desejo de outra coisa, mas igualmente sob o risco de afogar-se no oceano
de possibilidades infinitas que a época oferece.
Os analistas oferecem um encontro
marcado com o sujeito aí, no próprio olho do furacão.

















