Caros colegas,
Encaminho-lhes dois textos de Ruth Helena Cohen, que tentaremos trabalhar nos próximos encontros do NUPPE. Priorizaremos o famoso “fracasso escolar” que tem desafiado tanto os educadores quanto os psicanalistas da atualidade. Em uma tentativa de procurar uma lógica para esse funcionamento, os profissionais tem se deparado com um certo “fracasso”, a saber: a lógica do indecidível.
TEXTOS: 1) Do universal ao singular: um tratamento possível do fracasso escolar e, 2) O traumático encontro com os outros da educação: a família, a escola e o estado.
O primeiro texto traz o testemunho de duas práticas de diálogo entre a psicanálise e a educação (foram retiradas da conversação entre dois laboratórios do CIEN- Centre Interdisciplinaire sur L’enfant. e no segundo, depoimentos são extraídos do projeto de pesquisa e intervenção Aleph, Sobre as Etiologias do Fracasso Escolar, desenvolvido no curso de Pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O segundo texto , tentem fazer uma leitura, pelo menos, do último capítulo: A LÓGICA INDECIDÍVEL DO FRACASSO ESCOLAR. Transcrevo aqui seu Resumo: [ O fracasso escolar desafia psicanalistas e educadores que tentam dizer algo sobre a lógica de seu funcionamento. As dificuldades em precisar as suas causas, em localizá-lo no aluno, no professor, na escola, no método ou na política educacional sugerem que ele funciona na lógica do indecidível. Se não se tem acesso a toda a verdade sobre a etiologia desse fracasso, ao localizá-lo aqui ou ali, há uma aposta, uma escolha: que ela, sendo indecidível, estará sempre atrelada a uma determinada contingência educacional. Neste artigo, a tensão sofrida pela criança diante da demanda do tecido social – família, escola e Estado –, com seus parâmetros políticos e éticos, é tratada por meio da figura do professor e do diretor da escola. Seguindo essa vertente e a última versão sobre o sintoma em Lacan, propõe-se que o fracasso escolar, necessário, não cessando de se escrever em seu caráter de repetição sintomática, é produzido, na atualidade, na hiância do espaço indecidível entre o impossível real e o encontro traumático – “um mau encontro” – com o campo do Outro da educação.]
Para a autora, esse desafio implícito no fracasso escolar, com sua aposta de gozo, impõe ao analista, ao educador, à escola, à família e ao Estado uma nova forma de pensar sobre esse evento inscrito na sociedade. Aponta uma necessidade de criar uma ação sobre esse "sem-sentido" na sua insistência sintomática. “Em outras palavras, aquilo que de real, no sintoma fracasso escolar, pode ser contingencialmente reescrito.”
Fica aqui o convite para que nós, pesquisadores do NUPPE , nos unamos aos colegas do CIEN e ALEPH nessa caminhada por esse campo tão fértil de pesquisa do séc. XXI.
Ordália Alves Junqueira
Coordenadora do NUPPE-GO/DF.