Comunico que nesta terça feira haverá aula do meu seminário AS ESTRUTURAS CLÍNICAS E A SINGULARIDADE DE CADA UM.
Aproveito a ocasião para transmitir-lhes um breve resumo do que estamos trabalhando: O seminário, livro 3, as psicoses.
Lacan se lança ali na tentativa de extrair do caso Schreber, e também de outros ex. clínicos, os elementos estruturais da psicose. O mais fundamental deles (que, no entanto não é o único) é o fenômeno elementar: o psicótico é aquele que testemunha receber uma palavra (alucinação verbal) do real, como sendo dirigido a ele mesmo. Esse acontecimento, embora seja um traço estrutural da paranóia, é um efeito daquilo que Lacan chamou de foraclusão (Ververfung): alguma coisa de estruturante "foi posto fora da simbolização geral que estrutura o sujeito" (Lacan, p. 60, 2ª edição revisada).
Mas uma outra referência fundamental de Lacan é a de que “No sujeito psicótico certos fenômenos elementares e a alucinação... mostram-nos o sujeito completamente identificado ao seu eu com o qual ele fala..." (p.23). Portanto, o psicótico é um sujeito completamente absorvido pelo imaginário, a relação imaginária é que domina a estrutura da paranóia, pois "na fala delirante o grande Outro está verdadeiramente excluído" (p.67).
Essas primeiras aulas de Lacan (e as minhas também) são dedicadas a mostrar a especificidade do funcionamento do imaginário na psicose ressaltando sua diferença em relação ao funcionamento do imaginário nas neuroses.
Convido aos interessados a acompanhar esses desenvolvimentos amanhã, às 19h30min.
Cristiano Pimenta.
