"Educar, hoje, não é mais transmitir conhecimento acumulado pelas gerações e nem assumir uma atitude de maestria em sala de aula. Também não bastam as técnicas de construção do saber pautadas no Imaginário ou no Simbólico. Educar é estabelecer novos laços. Laços com o real. Laços que vão além do sentido e da significação." Com o intuito de mostrar “Novos Usos da Psicanálise na Educação”, iniciamos na Delegação Geral GO/DF da Escola Brasileira de Psicanálise, no dia 16 de abril, o Núcleo de`Pesquisa em Psicanálise e Educação. O nosso Núcleo de pesquisa tem como um dos objetivos acolher os vários discursos, dentre eles: O pedagógico, psicopedagógico, filosófico, médico, linguístico, dentre outros para repensarmos juntos, a Educação frente aos novos sintomas da cultura que produzem, direta ou indiretamente, os novos sintomas na Educação atual, a saber: a indisciplina, o nomeado "fracasso escolar", os infinitos transtornos da família dos DAs ( TDA/H, TOD, TAB, TDDD, TOD/H, etc), sintomas estes que coloca, acima de tudo, o "desejo de saber" em questão.
Em uma tentativa de nortear o nosso trabalho/discussão no último ensino de Lacan, no dia 16 de abril iniciamos com o texto de Ana Lídia Santiago: A relação com o saber na Psicanálise, com " O caso Vicente" ; continuamos com o primeiro capítulo do livro, também de Ana Lídia: A inibição intelectual na psicanálise, trabalhando a introdução e os casos: Pedro e Alice; em seguida, pegamos o texto de Sandra Conrado: Fracasso escolar: um gozo de não querer saber; trabalhamos também, de forma emocionante e entusiástica - em comemoração ao mes de nascimento de Freud (maio), O Valor da Vida - uma entrevista rara de Freud, concedida ao jornalista G.S.Viereck em seu septuagésimo aninversário (1927); e, no dia 28/05/2011, trabalhamos também, com bastante entusiasmo, o vídeo "Simpsons - Barns e o TDA" com a ilustre presença do psiquiatra goiano Célio de Barros, priorizando na discussão o excesso de diagnóstico e medicalizações que deixam de lado a singularidade do sujeito, um alargamento do campo de classificações, e uma redução na área de "normalidade", algo que tem aumentado a crença de que o tratamento deva ser medicamentoso.
Como bússola norteadora para nossa pesquisa temos utilizado,como leituras complementares, alguns textos freudianos que contemplam esse ousado "enlace" da Psicanálise com a Educação.
Já trabalhamos: - Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar (1914);
- Sobre o ensino da psicanálise nas universidades (1919) e
- Escritores criativos e devaneios (1907-1908)- em curso.
O nosso objetivo principal no Núcleo é " discutir assuntos que não estão sendo trabalhados em nenhum outro lugar: os novos sintomas na cultura e na Educação atual, que acabam interferindo nas instituições educativas e na própria Educação atingindo a alunos e professores, pais, funcionários, etc."
Deixamos aqui um convite especial a todos que são/estão sensibilizados com o assunto, não só os educadores mas também todos que se veem frente a esse enigma que o Ensinar/o Aprender trazem, traduzidas, em parte, de forma clássica, nesse dito freudiano: "Temos uma sensação esquisita, quando, já na idade madura, mais uma vez recebemos ordem de fazer uma redação escolar. Mas obedecemos automaticamente, como o velho soldado que, à voz de 'Sentido!', deixa cair o que tiver nas mãos e se surpreende... [...] É estranho como obedecemos às ordens prontamente, como se nada tivesse acontecido no último meio século". [...] "Minha emoção ao encontrar meu velho mestre-escola adverte-me de que antes de tudo, devo admitir uma coisa: é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e teve importância maior foi a nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres." [...] "No fundo, sentíamos grande afeição por eles [...]" - Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar, Freud (1914).
Ordália A. Junqueira
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO





