Acontecerá em Goiânia, no Auditório da Faculdade de Educação da UFG, nos dias 13 e 14 de novembro de 2009, a II Jornada da DG GO/DF da EBP. Cujo tema é "Sintomas e Semblantes: o contemporâneo".
Para inscrições e informações enviar mensagem para o e-mail sintomasesemblantes@gmail.com
A Delegação Geral Goiás/Distrito Federal já está funcionando na nova sede. O novo endereço: Rua Dr. Olinto Manso Pereira (Rua 94), n°673, Sala 305, Centro Comercial Antônio João Sebba – Setor Sul - CEP 74080-100 - Goiânia, Goiás.
Com a proposta de dar início oficialmente ao segundo semestre de trabalho da Delegação Geral Goiás/DF, realizou-se, no último dia 15 de agosto, com a presença do conselheiro da EBP Antonio Beneti, a exibição do filme Zazie no Metrô (Louis Malle, 1960), uma adaptação do romance homônimo do poeta e escritor francês Raymond Queneau.
A escolha por assistir ao filme de Louis Malle pretendeu continuar a discussão que teve início quando do último evento da DG Goiás/DF, a conferência intitulada ‘A Teoria Generalizada do Semblante’, em que Marcela Antelo trabalhou o tema do cinismo feminino tal como Miller o elabora em seu seminário ‘De la Naturaleza de los Semblantes’.
Nesse momento de seu ensino, Miller pergunta se se poderia encarnar em uma figura o que ele propõe como essa posição feminina que denuncia a impossibilidade do significante em agarrar o real. É para encarnar o cinismo feminino, o ódio das mulheres ao semblante, que Miller então convoca a heroína de Queneau e sua fórmula imortalizada: ‘mon cul’ (me importa o caralho!) que poderia, então, ser aplicada a tudo o que se trama na civilização.
Zazie é uma menina de aproximadamente 12 anos que vem pela primeira vez a Paris e que sonha em andar de metrô. Mas, os metroviários estão em greve, o que a impossibilita de realizar seu sonho. Ela, então, sai pela capital francesa a pé arrumando confusão por onde passa.
Com o filme como mote, iniciou-se uma animada conversação em torno do que o filme e sua protagonista poderiam revelar sobre o cinismo. Em primeiro lugar, destacou-se que o interesse pelo metrô, pelo subterrâneo, que marca a posição subjetiva de Zazie é uma posição de não querer ver a cidade e seus semblantes. Uma posição de desprezo pelos ideais da cultura, tão bem representada pelo “me importa o caralho!” pronunciado por ela sempre que confrontada pela insistência do tio em apresentar-lhe a cidade. Demonstra que o interesse exclusivo pelo metrô nada mais é do que uma postura determinada de preocupar-se com o real divorciado do semblante, como se buscasse um acesso direto (e subterrâneo) ao real. É a partir dessa posição que Zazie vai desprezando em seqüência tudo o que é da ordem do semblante que encontra pela frente: o táxi contratado pelo tio para apanhá-los na estação, o passeio pelos monumentos, a escola, a enorme pérola que joga fora sem pestanejar, o amor, nada escapa à derrogação da menina, fazendo, literalmente, o circo pegar fogo, pois sua postura mobiliza cada personagem do filme, de formas diferentes, chegando a um ponto em que a detonação dos semblantes se torna coletiva. Com a ausência de significantes fálicos, portanto, não há limites e os personagens destroem, então, literalmente, todo o cenário.
Subverter os semblantes é mesmo a proposta de Queneau quando nos apresenta como anfitriões da pequena um casal sui-generis formado por um tio homossexual que, de noite, traveste-se de bailarina espanhola e uma tia que, ao final, revela-se um homem.
Louis Malle também brinca livremente com os semblantes a ponto de fazer-nos ver uma loira fatal transformar-se num belo rapaz, ao entrar em uma cabine telefônica. Em certa altura do filme surge uma exortação: ‘Desvista-se!’
Em seus comentários, Beneti destacou exemplos em que o cinismo aparece na clínica psicanalítica. No caso do toxicômano, que com seu gozo auto-erótico, apresenta-se claramente disposto a detonar os semblantes ao assumir-se enquanto somente interessado no gozo masturbatório que a droga proporciona. O cinismo feminino também foi citado em relação ao termo “mulheres filhas da natureza”, usado por Freud no texto “Observações sobre o Amor Transferencial” para referir-se àquele tipo de mulheres que desprezavam o tratamento analítico em prol de um amor intenso pelo analista, não havendo, portanto, semblante que barrasse o gozo. Neste sentido, lembrando Miller em “De la Naturaleza de los Semblantes”, o cinismo feminino aparece também no ódio das mulheres ao semblante masculino, ao adotarem a postura de denúncia de tais semblantes. Ainda, a posição cínica também pode se manifestar na clínica por meio da transferência negativa, enquanto uma tentativa de detonação do semblante utilizado no ato analítico para tocar o real.
E, para concluir, Beneti ressaltou que a clínica psicanalítica busca realizar uma espécie de sutura entre o real e o simbólico para que haja a construção do sinthoma. Ou seja, o caminho de uma análise é o de procurar costurar o semblante ao real, exatamente contrário ao caminho adotado por Zazie.
Encerramos nossa atividade certos de que o encontro com Zazie foi provocativo não apenas para os personagens do filme, como também para quem esteve presente no momento da exibição. As participações e construções foram significativas e fizeram daquele um momento de conversação sobre a teoria psicanalítica, deixando espaço para que trabalhos dessa ordem se realizem em ou futuros momentos na Delegação Geral Goiás/DF.
Este foi o título escolhido por Marcela Antelo (membro da EBP/AMP) para falar sobre o semblante em sua vinda à Goiânia, ocorrida nos dias 19 e 20 de junho.
Contrariando Exupéry para quem ‘o essencial é invisível aos olhos’, Marcela iniciou sua conferência chamando a atenção para a dificuldade inerente à abordagem do semblante como conceito, por ele parecer ‘feito de miragens’, na mesma medida, o semblante tem um lado mais formal e outro ‘palácio de espelhos’.
Tudo o que se refere ao laço social tem a ver com o semblante, e, nesse sentido, a realidade tem estrutura de semblante. Por isso é necessário abordá-lo como uma categoria, um princípio de ordenamento. Podemos definir o semblante como ‘uma suposição de ser’ em relação ao Outro e o véu torna-se um exemplo paradigmático de semblante, pois “é um dispositivo fantástico para supor que ali há alguma coisa”.
O laço com o semelhante passa pelo semblante sob a forma da aparência. Mas, o semblante é uma aparência “a partir de um rio de palavras”. Assim, os semblantes mudam com as transformações sociais, econômicas e políticas. Os semblantes caem (se tornam ‘falsos’) ao deixar de sustentar o laço social, como por exemplo hoje em dia acontece com o semblante da ‘família clássica’ ou ainda da ‘virgindade’.
Marcela marca, ainda, que há uma continuidade entre o semblante e o real. É o semblante que nos protege do encontro com Das Ding: “os excrementos da cultura se cobrem de semblantes”.
Acompanhando o desenvolvimento de Miller em “De la Naturaleza de los Semblantes”, Marcela traz as mulheres como inimigas do semblante, tendo mais afinidade com o real. As mulheres desconfiam do semblante, “têm os pés na terra” e muitas vezes tiram o véu da cultura que cobre Das Ding.
Se o semblante e o vestido servem para dissimular a economia de gozo, a psicanálise não veste o semblante (como o fazem os militares e os juristas). A psicanálise deixa o semblante nu, promete o ‘sicut palea’ e, finalmente, o ato analítico atua pelo semblante contra o semblante para declinar o semblante, ou seja, põe o semblante para tocar o real.
No sábado ocorreu ainda uma conversação clínica na qual 5 casos clínicos foram apresentados por membros da DG e que foi animada por comentários de Marcela Antelo.
Aproveitamos a ocasião para agradecer mais uma vez a presença de Marcela Antelo na Delegação Geral GO/DF. Gostaríamos também de agradecer aos integrantes da Delegação e aos convidados pela presença e pela contribuição nos debates e nas intervenções.
Contaremos com a presença de Marcela Antelo nos dias 19 e 20/06/2009, em Goiânia. Oportunidade na qual ela apresentará o Seminário: "Teoria Generalizado do Semblante". A atividade será restrita a membros da Delegação Geral GO/DF e convidados.
Aconteceu em Goiânia, no dia 21/03/2009, o Seminário de Antônio A. Beneti, intitulado "O Semblante: do discurso ao nó borromeano". Ele trabalhou acerca dos temas Sinthoma e Semblante.
No segundo seminário, que aconteceu no dia 23/05/2009, dentre os temas tratados, ele nos apresentou a a lógica de funcionamento da Escola; o retorno a Lacan proposto por Miller (2008-2009); e a importância da psicanálise pura e da análise de controle (supervisão) na formação do analista.
Aconteceu no dia 21/03/2009 a permuta da Coordenação da Delegação Geral GO/DF, gestão 2009 - 20011, oportunidade que contamos com presença de Antônio Áureo Beneti (Membro do Conselho da EBP, Seção Minas Gerais).